Álbum do Rio Acre
Emilio Falcão
A reedição do Álbum do rio Acre, de Emilio Falcão, representa a preservação do maior acervo iconográfico relativo à Revolução Acreana e da vida sócio econômica dos Seringais do Rio Acre.
Implantada sobre terras expropriadas aos grupos tribais a empresa extrativista da borracha, no Acre, como em toda a Amazônia, obedeceu ao rigoroso sistema de Aviamento, que consiste no fornecimento, mediante crédito, de mercadorias ou bens de consumo e produção.
Para manutenção desta cadeia de aviamento e da produção de borracha natural foi atraída mão-de-obra imigrante, procedente na sua maioria do nordeste. As levas sucessivas de trabalhadores foram assentadas ao longo dos rios Juruá, Purus, Envira, Tarauacá, Iaco e Acre, a partir de 1870. Compelidos pelo desejo de fazer fortuna e pela situação de miséria gerada pela seca e aridez da região de origem, os seringueiros promoveram o esplendor dos seringais enquanto eles próprios ficavam ao fatalismo das teias do aviamento. Os seringueiros constituíram-se protagonistas de uma história de coragem e trabalho quase que totalmente ausente dos compêndios da historiografia oficial.
Sustentada na mão-de-obra do seringueiro a atividade extrativa perdurou até os dias atuais, alternando ciclos de hegemonia e crise.
Do período de prosperidade econômica restam-nos algumas peças de relevância cultural: diversos acervos hemerográficos, objetos de cultura material, fotografias, etc.
A galeria de retratos que compõem as primeiras páginas do Álbum – homenagem aos revolucionários – constitui documentação única que possibilita resgatar a imagem dos protagonistas da revolução acreana, liderada por Plácido de Castro. Ao registrar através de fotografias os seringais do baixo Purus, do baixo e alto Acre, da sua foz até Xapuri, Emilio Falcão não apenas documenta a paisagem do novo território conquistado aos bolivianos, mas os tipos humanos, os habitantes, os costumes da época, os tipos de embarcações (gaiolas, vaticanos, batelões, etc.), enfim, aspectos de uma cultura que surgia com vigor em plena Amazônia, porém hoje decadente.
Tanto o registro fotográfico como o registro documental-escrito são objetos da política de ação patrimonial da Fundação de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Cultura e do Desporto que visa recuperar, preservar e popularizar as fontes históricas.
Concluímos com Emilio Falcão: “é um livro feito com muito sacrifício. Deve valer alguma coisa”. Certamente valeu!
Jacó César Piccoli
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